Brasil reduz em 86% número de crianças sem nenhuma vacina em dois anos, aponta OMS e UNICEF

O Brasil reduziu em cerca de 86,1% o número de crianças consideradas “zero-dose” — aquelas que não receberam nenhuma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP1) no primeiro ano de vida. Os dados fazem parte do levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) sobre cobertura vacinal nacional, divulgado nesta quarta-feira (15).

Segundo o estudo, o país passou de aproximadamente 360 mil crianças sem nenhuma vacina em 2023 para 255 mil em 2024. Em 2025, esse número caiu para 50 mil, ao mesmo tempo em que a cobertura vacinal apresentou crescimento.

A OMS e o UNICEF atribuem o avanço a dois fatores principais: o aumento da vacinação em todo o país e a melhoria dos sistemas públicos de registro, que passaram a reunir informações mais completas e precisas sobre a imunização da população.

Cenário global ainda preocupa

Apesar do desempenho brasileiro, o levantamento mostra que a recuperação da vacinação infantil no mundo segue lenta e desigual. A cobertura global permanece abaixo dos níveis registrados antes da pandemia de Covid-19 e praticamente estagnada desde 2009.

Um dos principais desafios, segundo o estudo, é o abandono do calendário vacinal. Em 2025, cerca de 7,3 milhões de crianças receberam a primeira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche, mas não concluíram o esquema de imunização antes da vacinação contra o sarampo.

Com isso, a cobertura da vacina contra o sarampo permaneceu abaixo do recomendado: 84% das crianças receberam a primeira dose e 77% a segunda, índices inferiores aos 95% considerados necessários para evitar surtos. Em consequência, 57 países registraram grandes surtos de sarampo em 2025.

No ano passado, cerca de 116 milhões de crianças, o equivalente a 90% dos bebês no mundo, receberam ao menos uma dose da vacina DTP. Desses, aproximadamente 110 milhões concluíram o esquema de três doses.

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